sexta-feira, janeiro 20, 2006

És tu...minha alma!


Foto de Rui Pedro

Levantas-me o queixo.
Vês-me o olhar, e roubas-me a alma. Sou tua!
Os teus olhos são duas estrelas brilhantes, humidas pela emoção.
Vejo o teu peito num ritmo acelerado...
parece que te salta o coração....
aflijo-me...
adivinho uma intensidade que não sei se saberei conter....
quero estar contigo, sentir o teu ritmo, o teu corpo junto ao meu,
mãos entrelaçadas tentadas que estão pelo corpo um do outro.
Sinto o teu calor, estremeço.
Sinto-te.

Já não temos roupa...
não me lembro de alguma vez termos tido roupa...
sinto as tuas mão na cintura...
a tua pele e a minha encontram-se.....
dás-me de novo as tuas mãos...
deitas-me num leito que não vejo, que não sinto...
deitas-te a meu lado, percorres o meu corpo com tacteis carícias...
sinto o teu desejo e a ternura que me devotas...
o meu corpo arqueia-se num esgar de prazer irreprimível....
tocas-me o ventre, os seios...
o corpo maduro de mulher, toma contornos de virgem....
voltei à primeira vez....
tudo é novo...
tudo é fantásticamente novo!...

viro-me para ti....
quero-te!
Concavo e convexo...
os nossos sexos encontram-se.
Fundimo-nos.
Olhas para mim, com desejo, paixão, ardor.
Sinto um fogo a invadir-me.
O meu corpo deseja o teu.
Entrelaçamos de novo as mãos.
Sinto o balanço dos corpos que impõem um ritmo.
Finalmente acertámos...

Esqueço-me....
sinto-me possuída pela paixão, pelo prazer...
sinto-te sofrego a desbravar o meu corpo.
Toda a minha pele sentiu já a tua...
já conheço cada centimetro teu...
dizes coisas que não entendo...
mas não me preocupo... és meu...!
Reprimo os gemidos....
todo o meu corpo está entrelaçado no teu...
soltamos finalmente a vontade reprimida em anos e dificuldades....
já não pensamos no outro...
apenas em nós numa furia louca de prazer....
acho que estivemos séculos assim...
senti a eternidade que já vivemos.
Vidas passadas em que nos encontrámos tal como agora.
Tudo se explica.
Conheço-te.
Sei quem és e quem foste.
Sucumbimos ao cansaço... ficamos juntos... adormecemos...
Acordo numa madrugada que não percebo,
porque não percebi a noite,
nem o crepúsculo.
Olho para ti e sorrio.
Ainda dormes.
Agradeço-te em silêncio e uma lágrima de felicidade é reprimida.
Sinto-me forte para outra eternidade.
Dou-te um beijo e vou embora.
Segura de que voltarei a encontrar-te nesta ou noutra vida.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

On-line... novamente...



Reconhecimento à Loucucura

Já alguém sentiu a loucura vestir de repente o nosso corpo?
Já.
E tomar a forma dos objectos?
Sim.
E acender relâmpagos no pensamento?
Também.
E às vezes parecer ser o fim?
Exactamente.
Como o cavalo do soneto de Ângelo de Lima?
Tal e qual.
E depois mostrar-nos o que há-de vir muito melhor do que está?
E dar-nos a cheirar uma cor que nos faz seguir viagem sem paragem nem resignação?
E sentirmo-nos empurrados pelos rins na aula de descer abismo se fazer dos abismos descidas de recreio e covas de encher novidade?
E de uns fazer gigantes e de outros alienados?
E fazer frente ao impossível atrevidamente e ganhar-Ihe, e ganhar-Ihe a ponto do impossível ficar possível?
E quando tudo parece perfeito poder-se ir ainda mais além?
E isto de desencantar vidasa os que julgam que a vida é só uma?
E isto de haver sempre ainda mais uma maneira pra tudo?
Tu Só, loucura, és capaz de transformar o mundo tantas vezes quantas sejam as necessárias para olhos individuais.
Só tu és capaz de fazer que tenham razão tantas razões que hão-de viver juntas.
Tudo, excepto tu, é rotina peganhenta.
Só tu tens asas para dara quem tas vier buscar!

Almada Negreiros
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